Autor: José Adão Ribeiro
05/07/2026
Mesmo deflorada, continua inteira,
não perdeu brilho, nem valor, nem paz;
é flor que se abriu, ficou mais verdadeira,
tem mais perfume, mais vida, mais luz.
Não é fruto que estraga ao se provar,
é fonte que mais corre ao se abrir;
quem conhece a si mesma, sabe amar,
e fica mais bela ao se entregar e seguir.
O que foi guardado, agora é partilha,
o que era segredo, virou clarão;
mesmo deflorada, a alma brilha,
e tem todo o meu coração.
Não há marca que apague a sua essência,
nem instante que tire o seu valor:
mesmo deflorada, és a minha preferência,
a mais bela flor do meu amor.