Autor: José Adão Ribeiro
05/07/2026
Na calçada, parado, calmo e só,
olha o muro, o mato e o vento que vem;
tem no pelo cinza e branco a paz
que o mundo anda esquecendo e não tem.
Não tem pressa, não corre, não se aflige,
cada passo seu é no tempo certo;
guarda segredos que só ele entende,
e faz do chão duro o seu abrigo aberto.
A cauda desenha riscos no ar,
o olhar carrega luz de outro lugar;
pequeno ser, mas de alma imensa,
que ensina a saber esperar e amar.
E ali fica, guardando o nosso caminho,
simples, fiel, sem pedir nada a ninguém:
a beleza que mora no pequenino,
e faz o dia mais doce e mais bem.