Autor: José Adão Ribeiro
05/07/2026 • Soneto
Vejo o gelo cobrir cada palavra,
o silêncio que chega sem querer falar;
o carinho que pede, mas não se lavra,
e o coração fica a se congelar.
Não é calma, é distância que separa,
muro de neve que não deixa passar;
a mão que se estende, ela não ampara,
e o calor vai se perdendo no ar.
Dói mais que a dor da perda inteira,
ver o que era luz virar rigidez;
essa frieza, tão calma e certeira,
faz o amor se sentir de vez.
Mas não me queimo, nem me rendo ao frio,
guardo o meu brilho, a minha verdade:
quem tem alma quente, tem o seu brilho,
e volta a brilhar com liberdade.