Autor: José Adão Ribeiro
06/07/2026 • Soneto
Fico aqui atento, na quietude do posto,
não durmo, não saio, não deixo falhar;
guardo o que é nosso, o que é nosso bem posto,
para que nada o possa machucar.
Vigio o caminho, os ventos, a hora,
defendo o carinho de qualquer pesar;
se a noite chega, eu sigo e demoro,
até que o sol volte a brilhar.
Não tenho espada, só tenho ternura,
a força que vem de quem sabe amar;
sentinela fiel, sem pressa ou frescura,
só cuido para o amor não acabar.
E quando chegar a hora descansada,
saberei que fiz o meu dever maior:
o amor que vigiei, intacto e amado,
permanece vivo, belo e melhor.