Autor: José Adão Ribeiro
07/07/2026 • Soneto
Quem vende o voto por troca ou favor,
perde logo a sua dignidade;
não crê naquele que paga o seu valor,
e engana a si mesmo e à verdade.
A mão que aceita, o coração recusa,
sabe bem que o negócio é ilusão;
não há confiança que o dinheiro use,
nem voto sincero nessa união.
Compra‑se o papel, mas não a vontade,
não se compra a fé nem a convicção;
quem faz esse trato, na realidade,
nega o que fez no fundo do coração.
É falso o gesto, vazio o sentido,
o voto dado não é de lealdade:
quem vende‑o, tem o peito partido,
e não vota em quem comprou, na verdade