Autor: José Adão Ribeiro
Data: 10 de julho de 2026
Quando o ruído todo se acalma,
aparece o que realmente sou;
o espelho não mente para a alma,
mostra o que o barulho encobriu,
o que o medo tentou esconder.
Vejo os meus passos tortos,
vejo o bem que também plantei;
não há máscaras, não há portos,
apenas eu e o que busquei,
e o olhar que tu me deste e dei.
O silêncio não é solidão,
é o lugar onde a verdade fala;
ouço o bater do coração,
ouço o que a razão se cala,
e a fé ganha nova sala.
Não fujo do que vejo ali,
aceito cada marca e cada dor;
é espelho que me ensina a ti,
a ver‑me como teu filho, Senhor,
e crescer no teu amor.
Saio dali mais inteiro,
com mais calma e mais verdade;
o espelho do silêncio verdadeiro
me prepara para a realidade,
e me guia na tua bondade.