Autor: José Adão Ribeiro
Data: 10 de julho de 2026
Não se entra empurrando a porta,
nem se chega com ruído ou pressa;
quem quer entrar onde importa,
desce do orgulho, se apressa
em deixar a capa que o cobre e pesa.
Entrar no teu coração, Senhor,
é despir‑se de toda a máscara;
mostrar a ferida, o temor,
o que brilha e o que é escasso,
sem esconder o que é falho ou passo.
Entrar na paz que não se vende,
é parar de lutar sozinho;
reconhecer que não se defende
com força ou com o próprio punho,
mas descansar no teu carinho.
Entrar na vida do irmão,
é respeitar o seu silêncio;
não invadir o seu cantinho,
mas estender a mão e dizer:
“estou aqui, se quiseres vir”.
Hoje aprendo o jeito certo:
entrar com fé, com ternura e calma;
entrar na verdade, por perto,
entrar no teu querer, alma,
e ali permanecer, acolhido e salvo.