Autor: José Adão Ribeiro
Nepotismo não é “ajudar parente”: é burlar o trato igualitário,
é fugir da regra que deve valer para todo mundo.
Usa‑se o cargo ou a influência para dar vantagem a quem se tem laço,
sem passar por avaliação, por mérito ou por disputa aberta.
A regra existe para garantir que oportunidade seja igual,
que o acesso dependa de esforço, não de sobrenome ou parentesco.
Quem foge dela não só prejudica quem se dedicou honestamente:
enfraquece a confiança nas instituições e na própria justiça.
Não confunda afeto com privilégio: é possível cuidar de quem ama
sem retirar o espaço que é direito de cada cidadão.
Racionalizar é ver: quando se abre porta só para a família,
fecha‑se caminho a talentos que poderiam fazer muito melhor.
Ele alimenta a ideia de que “quem pode, manda”,
e transforma o serviço público ou a oportunidade em herança pessoal.
“Evoluir sempre, retroceder jamais” passa por cumprir a norma:
a regra não é obstáculo — é a proteção contra a injustiça.
Todos têm direito a tentar, mas ninguém tem direito a ser escolhido
só por ser filho, primo, irmão ou amigo de quem decide.
Fugir da regra é escolher parcialidade sobre equilíbrio,
e isso sempre cobra preço: menos qualidade, menos confiança, menos país.
A dignidade se conquista, não se herda por decreto ou favor:
nepotismo é desvio, não exceção — e precisa ser tratado como tal.
12 de julho de 2026 ✍️