Autor: José Adão Ribeiro
Não há justiça verdadeira que não nasça da verdade:
antes de decidir, de julgar ou de equalizar, vem o fato.
Colocar a verdade em primeiro lugar é ouvir todos os lados,
verificar provas, separar o que é real do que é só desejo ou discurso.
Se tentamos fazer justiça sem saber o que realmente aconteceu,
corremos o risco de causar mais dano, de trocar uma injustiça por outra.
A razão nos ensina: o remédio certo depende do diagnóstico exato,
e o caminho correto se encontra só quando não escondemos nada.
Verdade não é crueldade: é a base sólida onde se constrói o equilíbrio.
Ela mostra quem sofreu, quem errou, o que precisa ser reparado
e o que deve ser preservado para não repetir os mesmos erros.
Quando invertemos a ordem — querer “fazer justiça” antes de conhecer a realidade —
podemos confundir privilégio com direito, ou vingança com correção.
Justiça que não se apoia na verdade é frágil, passageira e desigual:
ela não resiste ao tempo, nem convence a consciência nem a lógica.
“Evoluir sempre, retroceder jamais” começa por essa ordem:
esclarecer primeiro, decidir depois; revelar tudo, antes de distribuir.
Dessa forma, o que se estabelece não é só uma decisão momentânea:
é uma conquista sólida, que serve ao bem comum e não a interesses pequenos.
A verdade abre os olhos; a justiça, então, faz o seu papel com firmeza:
assim, o que é justo permanece, porque está alicerçado no que é real.