A INTELIGÊNCIA NA SOCIEDADE SIMPLES
Autor: José Adão Ribeiro
Inteligência não é saber termos difíceis nem parecer complicado:
na sociedade simples, ela se mostra de forma prática e clara.
É entender o outro, resolver o problema com o que se tem à mão,
trabalhar junto, respeitar o ritmo e a realidade de cada um.
Não precisa de fórmulas mirabolantes: usa a observação,
o bom senso, a experiência que vem do dia a dia e da convivência.
Muitas vezes confundem simplicidade com falta de sabedoria:
ao contrário — saber explicar e fazer de maneira acessível é sinal de lucidez.
Ela serve para unir, não para separar quem entende de quem não entende;
para levar soluções que cabem na vida do povo, não só nos livros.
Racionalizar aqui é ver: o que não se aplica ao real, não serve de nada,
por mais brilhante que pareça no papel ou na conversa.
Na roça, na oficina, na feira ou na escola do bairro,
essa inteligência se manifesta em cada passo bem pensado:
economizar sem desperdício, dividir o que se tem, ouvir antes de decidir,
consertar o que quebrou ao invés de jogar fora logo de cara.
Evoluir não significa complicar tudo: significa fazer com que o melhor
chegue também a quem vive de forma simples, com dignidade.
Uma sociedade forte usa a inteligência para facilitar, não para confundir,
e valoriza toda sabedoria, venha ela de onde vier.
No fim, a verdadeira luz é aquela que todos conseguem enxergar,
e que faz a vida melhor sem exigir que a gente seja outra pessoa.