CULTURALIDADE AFRO-BRASILEIRA — RACIONALIDADE, RAÍZES E RESISTÊNCIA
Autor: José Adão Ribeiro
Culturalidade afro-brasileira não é “folclore secundário”:
é uma das fundações mais sólidas da identidade do Brasil .
Racionalizar seu valor não é exaltar só sofrimento ou vitória,
mas reconhecer, com clareza, quanto ela construiu nosso jeito de ser,
nossa língua, nossa fé, nosso sabor, nosso ritmo e nossa história.
De milhões de africanos trazidos à força nas embarcações,
nasceu uma sabedoria que não se deixou apagar:
quilombos como o do Ambrósio, em solo mineiro, provam
que liberdade se faz com organização, coragem e persistência .
Aqui, no Sul de Minas e em Santa Rita do Sapucaí, ela pulsa:
na Capoeira Angola ensinada por mestres locais,
no Congado que reza, canta e dança por todo o estado,
nos projetos como o Blacktown que dão voz e rosto à nossa gente,
na roda de pagode, no samba e na memória que não se deixa esquecer.
Racionalizar é entender: igualdade passa por reconhecimento —
não é “dar preferência”, é devolver o que foi roubado de visibilidade .
É saber que a Lei 10.639/2003 não é “favor a um grupo”,
mas correção de um erro que durou séculos nas salas de aula.
Não se trata de isolar essa cultura: ela se misturou com a indígena e a portuguesa,
mas manteve sua marca própria, seu “eu sou porque nós somos”.
Respeitar é conhecer, não apropriar; é preservar quem guarda o saber,
é garantir terra, direito e espaço às comunidades quilombolas .
Culturalidade afro-brasileira é herança, é resistência, é brasilidade inteira:
com razão, com justiça e com orgulho, faz parte de todos nós.
JOSÉ ADÃO (Simples Realista)
Enviado por JOSÉ ADÃO (Simples Realista) em 12/07/2026