Autor: José Adão Ribeiro
O caminho da negritude não é só retorno ao que ficou para trás:
é encontrar‑se consigo mesmo, reconhecer‑se e dizer “eu sou”.
Começa por desfazer as mentiras que tentaram plantar na mente:
de que ser negro é ser menos, é ser só dor, é ser sombra alheia.
Percorre a memória dos antepassados que cruzaram o mar,
que resistiram na senzala, nos quilombos, no silêncio e na luta.
Passa por entender que essa cor não é marca de cativeiro,
mas brilho próprio, raiz forte, fonte de saber e de beleza.
Racionalizar essa jornada é claro: não se trata de separar,
mas de devolver dignidade ao que foi sistematicamente apagado.
É conhecer a história que não coube nos livros antigos,
valorizar a língua, a fé, a arte e a sabedoria que permaneceram vivas.
Não é caminho fácil: tem obstáculos, tem preconceito, tem cansaço,
mas também tem encontro, tem força coletiva, tem orgulho de existir.
Ele leva a compreender que brasilidade não existe sem essa raiz:
este país foi moldado, alimentado e enriquecido por essa herança.
“Evoluir sempre, retroceder jamais” significa seguir em frente:
transformar reconhecimento em ação, em justiça, em espaço igualitário.
Não é só aceitar‑se: é reivindicar o lugar que sempre foi de direito,
é construir um mundo onde a negritude floresça sem precisar provar valor.
No fim, esse caminho não fecha portas: ele abre a todos
a possibilidade de conviver com verdade, respeito e inteireza.
12 de julho de 2026 ✍️