O Sentir Em Poesias - José Adão Ribeiro.
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Textos

PERNEIRAS DA ESCRAVATURA

Autor: José Adão Ribeiro

 

As perneiras da escravatura não eram só peças de metal frio e pesado:

foram instrumentos de cativeiro, moldados para limitar o passo e prender a liberdade.

Ajustavam‑se firmemente aos tornozelos, por vezes ligadas por correntes,

feriam a carne a cada movimento, marcaram a pele e a história de quem as carregou.

Serviam para punir quem ousou fugir, para intimidar quem pensou em resistir,

e para lembrar, a cada arrastar dos pés, a falsa ideia de que uns nascem cativos.

Racionalizar essa lembrança é ver: elas nunca conseguiram prender tudo —

prenderam o corpo, mas não a vontade, não a memória, não a força de sonhar.

Muitas caminharam léguas com esse peso, trabalharam, resistiram,

e mantiveram vivo o desejo de um dia seguir sem barreiras nem amarras.

Hoje não vemos mais essas peças de ferro usadas abertamente,

mas existem as “perneiras invisíveis” que ainda atrasam e prendem:

a falta de acesso a estudo, a barreira do preconceito, o ciclo da pobreza,

a negação de raízes e o impedimento de avançar com as mesmas oportunidades.

Lembrar das perneiras da escravatura é recusar qualquer forma de limitação injusta:

ninguém deve ter o seu caminho dificultado só por quem é ou de onde veio.

“Evoluir sempre, retroceder jamais” significa romper todo entrave:

a liberdade de ir, de vir e de crescer é direito de todos, não privilégio de poucos.

O ferro enferruja e desaparece com o tempo, mas a lição permanece sólida:

nenhuma força externa tem o poder de apagar a dignidade humana.

As marcas que elas deixaram nos ensinam a construir um mundo onde cada passo

seja dado com segurança, respeito e sem precisar carregar o peso do passado.

 

12 de julho de 2026 ✍️

JOSÉ ADÃO (Simples Realista)
Enviado por JOSÉ ADÃO (Simples Realista) em 12/07/2026
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