O Sentir Em Poesias - José Adão Ribeiro.
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LAÇOS QUE O TEMPO NÃO DESFAZ Capítulo 2: O Caminho Que o Coração Escolhe Autores: José Adão Ribeiro e Dolaiar

Autores: José Adão Ribeiro e Dolaiar

 

O tempo seguiu seu curso, e a vida continuou a tecer suas linhas diferentes para cada uma das amigas. Lia caminhava ao lado do companheiro que escolhera: não era uma história sem pequenos desafios, mas neles cresciam juntos — aprendendo a ver o outro com mais clareza, a dividir sonhos e a descobrir, a cada dia, mais detalhes um do outro que faziam o vínculo ficar mais forte. O que ela sentia era paz: a certeza de ter encontrado um lugar onde podia ser ela mesma, sem precisar fingir ou se moldar a expectativas alheias.

 

Para Lu, o caminho foi mais tortuoso. Ela também havia seguido o que parecia ser o rumo esperado, construindo uma convivência com quem acreditou ser o seu futuro — mas com o passar dos meses e anos, percebeu que havia algo que não se encaixava. Não era maldade de ninguém, nem falha de um ou de outro: simplesmente, o afeto que sentia não era o mesmo que a fazia sentir‑se plena, completa em todos os sentidos. Conversaram, tentaram ajustar, mas chegaram à conclusão honesta: era melhor seguir cada um seu caminho, sem culpas, sem rancores. Separaram‑se com respeito, embora com a dor de quem vê um plano desfazer‑se.

 

Nos meses que vieram depois, Lu mergulhou em si mesma: questionou o que sentia, o que esperava da vida, por que tantas vezes se sentia estranha com as ideias que os outros tinham de “como deve ser”. Foi nesse período de descobertas que conheceu uma pessoa: alguém que primeiro foi ouvido, depois companhia, depois um afeto que foi crescendo devagar, sem pressa. Era uma mulher que a entendia com um olhar, que ria das mesmas coisas, que compartilhava sonhos e que a fazia sentir algo que nunca havia sentido antes — uma sintonia que parecia preencher cada espaço que ela não sabia que estava vazio.

 

No começo, Lu sentiu receio: não por achar que houvesse algo de errado, mas por nunca ter imaginado que a sua felicidade se mostraria assim. Pensou no que diriam, no que esperavam dela, e até duvidou de si mesma por um tempo. Mas depois lembrou da lição que ela e Lia sempre carregaram: o que é verdadeiro resiste, e o que faz bem ao coração merece ser honrado. Percebeu que não se tratava de “escolher um lado” ou de seguir modelos que não eram seus: era simplesmente aceitar que a felicidade que a completavam vinha nessa forma, ao lado de outra mulher, e não na convivência que todos esperavam dela.

 

Quando contou tudo isso a Lia, sentiu o coração bater forte — mas não precisou ter medo. A amiga a abraçou forte, como faziam desde pequenas, e disse com a mesma calma e sinceridade de sempre: “Eu não preciso entender tudo para saber que você é a mesma Lu que eu conheci na rua, a quem eu amo e confio. O que importa é que você está feliz, que se sente inteira — e isso é o que mais vale”.

 

Depois, reuniu coragem para falar com os pais e os irmãos. Começou com a voz trêmula, explicando que decidira não mais viver ao lado de um homem, e que encontrara em outra mulher a convivência, o carinho e a paz que sempre buscou. Houve um silêncio breve, um misto de surpresa e inesperado — não por reprovação, mas porque era algo que não imaginavam ouvir. Mas logo a mãe a segurou pela mão, e o pai falou com firmeza e ternura: “Nós não esperávamos, Lu, e levamos um tempo para assimilar, mas não vamos julgar o que faz o seu coração bater tranquilo. Prefiro ver você sorrindo ao lado de quem te acolhe, do que ver você calada e triste ao lado de quem não te completa”. Os irmãos também se aproximaram: “Se essa é a sua verdade, essa é a nossa também — família é para estar ao seu lado, não para te impor caminhos”.

 

A notícia espalhou‑se pela rua, e logo começaram os comentários baixos dos vizinhos: cochichos nas calçadas, observações que não cabiam, comparações e críticas sobre “o que é certo” ou “o que se espera”. Mas a família de Lu não recuou: ao invés de se esconder, abraçou a causa como sua. Quando alguém falava alto, o pai respondia com calma: “A minha filha não é mercadoria para ser aprovada por ninguém. O que nós queremos é que ela viva digna, amada e feliz — e isso é mais importante do que qualquer opinião alheia”. A mãe completava: “Não nos importa com quem ela escolhe caminhar: nos importa que ela não tenha que fingir ser quem não é só para agradar os outros”. Os irmãos também se posicionaram, deixando claro que Lu era e sempre seria parte deles, e que ninguém iria fazê‑la se sentir menor.

 

Com o tempo, os cochichos foram perdendo força, e o que ficou foi a verdade visível a todos: Lu brilhava de uma forma que ninguém via antes. Ao lado da companheira, estava mais leve, mais confiante, mais ela mesma. Lia, por sua vez, seguia feliz e realizada ao lado do seu companheiro, compartilhando alegrias e crescendo a cada dia.

 

E a família? Ficou feliz de todas as partes! Recebeu a nova pessoa de braços abertos, passou a tê‑la sempre presente nos almoços de domingo, nas festas e nos momentos simples do dia a dia. Todos compreenderam, de forma clara e definitiva: cada pessoa tem o direito sagrado de conviver e viver ao lado daquele ou daquela que realmente completa os seus sentimentos — levando‑nos à junção verdadeira do amor, que não tem fórmulas, nem regras alheias, mas nasce apenas da afinidade, do respeito e da paz que só o coração sabe reconhecer.

 

Havia sorrisos em todos os rostos, paz em todos os lares, e a certeza de que ali o amor tinha espaço para chegar de todas as maneiras.

 

(Continua...)

 

12 de julho de 2026 ✍️ Oi

JOSÉ ADÃO (Simples Realista) e Dolaiar
Enviado por JOSÉ ADÃO (Simples Realista) em 12/07/2026
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