Autor: José Adão Ribeiro
Tem gente que toca, mas parece que toca com luvas. Fala, mas a voz sai fria, distante, como se tivesse uma parede entre o coração e as palavras. Diz que se importa, mas não transmite calor, não chega perto, não se entrega de verdade. É como sol que não aquece, como fogo que não acende.
Mas existe o calor sem frigidez: é aquele que vem de dentro, que não tem medo de se mostrar. É o abraço que aperta com carinho, a palavra que sai com sinceridade, o olhar que encontra o seu sem desviar. Não se esconde, não se fecha, não deixa espaço para o frio chegar.
Ele não queima, não assusta: aquece, conforta, faz você se sentir em casa. É o jeito de ser verdadeiro, de dar o que sente, de receber o que vem. Não tem máscara, não tem distância: é todo ali, inteiro, quente, real.
Eu procuro sempre viver assim. Porque a vida é curta para ser fria, o amor é grande para ser guardado. Quero calor que chegue, que fique, que aqueça a alma. Sem frigidez, sem medo, sem nada a esconder. Apenas o nosso calor, que é verdadeiro.