Autor: José Adão Ribeiro
Tem gente que fica junto por costume, por medo de ficar só, por vergonha, por tudo — menos por amor. Andam lado a lado, dividem a casa, a mesa, o nome, mas dentro de cada um, é como se estivessem sozinhos. Cumprimentam-se, falam de coisas de casa, mas não falam do coração.
Unidos no olhar dos outros, separados na alma. Fazem o que é certo, o que se espera, mas não há calor, não há entrega, não há aquele querer que faz tudo valer a pena. É como duas árvores plantadas no mesmo chão: crescem juntas, mas cada uma vive a sua própria vida, sem se tocar, sem se dar sombra de verdade.
Eu sempre pensei: para que ficar assim? A união sem amor é só peso, é só passar o tempo. Não constrói, não aquece, não deixa marca. Melhor andar só, com a paz de quem é verdadeiro, do que andar acompanhado e se sentir vazio.
Amor não é obrigação, não é contrato. É querer estar, é escolher o outro todos os dias. E se não há isso, que cada um siga o seu caminho. Melhor separados e livres, do que juntos e sem se amar.