Autor: José Adão Ribeiro
Diziam que não ia dar certo. Que era fraco, que não tinha jeito, que o caminho dele era sempre o da sombra e da derrota. Eu mesmo me sentia assim por muito tempo: com a cabeça baixa, sem ânimo, sem ver nenhuma saída. O peso das palavras alheias, das minhas próprias dúvidas, dos erros que eu tinha cometido parecia me apertar cada vez mais forte. Parecia que a luz era coisa para os outros, para quem tinha sorte, para quem era visto como alguém de valor. E eu? Eu era só quem todos desacreditavam, inclusive eu mesmo.
Andei assim por longos dias. O sol batia, mas eu não sentia o calor. As portas se abriam, mas eu tinha medo de entrar. Quando alguém me dava uma chance, eu já pensava logo: “vou errar, eles vão ver que eu não sirvo”. E assim eu mesmo me fechava, eu mesmo me mantinha no escuro, acreditando no que os outros diziam, esquecendo que eu também podia ser diferente.
Até que um dia, parei. Parei de ouvir as vozes que só sabiam falar mal. Parei de me julgar por tudo o que já tinha passado. E olhei para dentro, com calma, com a razão que eu sempre tive, mas que deixava guardada. E pensei: por que eu tenho que aceitar o que eles dizem? Por que eu não posso tentar? Por que a luz não pode chegar também para mim?
Foi ali que comecei a mudar. Não foi de uma hora para outra, não foi com mágica. Foi devagar, um passo de cada vez. Levantei a cabeça, não para desafiar ninguém, mas para ver o caminho. Comecei a acreditar que eu era capaz, que os meus defeitos não eram maiores que a minha vontade, que os obstáculos eram só pedras no chão, não muralhas que não se podem passar.
Houve dias em que o desânimo voltou. Houve vezes em que tropecei, em que pensei em desistir. Mas aí eu lembrava: a luz não cai do céu, ela se conquista. Se eu quisesse ver ela brilhar na minha vida, eu tinha que ir ao seu encontro. Tinha que lutar, tinha que aprender, tinha que seguir em frente, mesmo quando fosse difícil.
E fui. Fui superando cada barreira, cada desconfiança, cada “não” que me davam. Mostrei com trabalho, com verdade, com humildade mas com firmeza que eu podia sim. E pouco a pouco, a sombra foi saindo. A luz foi chegando, devagar, mas firme, forte, minha. Hoje eu ando com a cabeça erguida, não porque sou melhor que ninguém, mas porque eu conquistei o meu lugar, eu conquistei a minha luz.
E eu digo para você que também se sente assim: não deixe que ninguém te diga o que você é capaz. Não deixe que o desânimo te prenda no escuro. Acredite em você, siga o seu caminho, levante a cabeça e lute. Porque a luz existe para todos. E ela chega primeiro para quem tem coragem de ir buscá-la.