Autor: José Adão Ribeiro
Eu pensava que já sabia tudo. Que conhecia o amor, a amizade, o carinho. Que afeto era coisa que se via por aí, que se ouvia falar, que se dava e recebia sem muito pensar. Mas eu não sabia nada. Não até o dia em que ele chegou de verdade, quieto, sem fazer barulho, e me mostrou o que realmente é esse sentimento que faz a vida ter cor.
Eu vivia de gestos pequenos, de palavras educadas, de coisas que pareciam afeto mas eram só costume. Dizia “eu te amo” por dizer, dava a mão por obrigação, ficava ao lado de quem estava ali por acaso. E achava que era isso. Achava que afeto era algo que se tem, não algo que se sente, que se cuida, que se descobre pouco a pouco. Até que eu parei, olhei com calma, e percebi que eu ainda não tinha encontrado ele de verdade.
A descoberta veio quando eu menos esperava. Veio num olhar que me viu como eu sou, não como eu queria parecer. Veio numa palavra que acertou o coração, num silêncio que não precisou de explicação, num abraço que pareceu dizer tudo o que eu sempre quis ouvir. Foi então que eu entendi: afeto não é o que a gente faz por fora, é o que nasce dentro, quando a gente se sente visto, aceito, importante para alguém.
Ele não chega gritando. Chega devagar, como a manhã que clareia sem pressa. Você começa a notar que pensa na pessoa antes de dormir, que sorri só de lembrar dela, que quer o bem dela tanto quanto o seu próprio. Você descobre que afeto não é posse, não é cobrança: é querer estar junto, é querer ver o outro bem, é se sentir bem só por saber que ele existe.
E foi assim que eu descobri. Descobri que eu tinha muito para dar, mas também muito para receber. Que o afeto é o alimento da alma, que faz a gente crescer, faz a gente ser melhor. Que ele não escolhe hora nem lugar: chega quando a gente está pronto, quando a gente abre o coração para ele entrar. E quando ele chega, muda tudo: o mundo fica mais bonito, os dias mais leves, e a gente entende que viver vale a pena, principalmente por causa disso.
Hoje eu guardo essa descoberta como o meu maior tesouro. Sei que afeto é coisa rara, mas que existe para quem sabe enxergar, para quem sabe valorizar. E eu aprendi a dar ele com verdade, e a receber ele com gratidão. Porque descobrir o afeto é descobrir que não estamos sozinhos, que temos valor, e que a vida é feita desses laços que nos ligam uns aos outros, com carinho e verdade.