Autor: José Adão Ribeiro
Lá no meio do arvoredo, perto da estrada que passa por Santa Rita, moravam dois amigos muito diferentes: o Pardal e o João-de-Barro. Eles se cumprimentavam sempre, mas cada um tinha o seu modo de viver e de fazer as coisas.
O Pardal era pequeno, ligeiro, gostava de voar de galho em galho, de cantar cedo para o sol nascer. Ele fazia o seu ninho com capim macio e penas leves, bem escondido entre as folhas grossas da árvore. “É assim que eu gosto”, dizia ele, “leve, solto, pronto para voar a qualquer hora!”
Já o João-de-Barro era trabalhador, calmo e muito caprichoso. Ele juntava barro, misturava com capim e cabelo, e construía a sua casa bem forte, com paredes grossas e até uma porta só para ele entrar. “Eu gosto de segurança”, dizia ele, “gosto de ver o meu trabalho pronto, firme, que resista ao vento e à chuva!”
Um dia eles começaram a conversar:
— Por que você não faz uma casa igual a minha? — perguntou o João-de-Barro. — É mais forte, mais segura!
— E por que você não faz um ninho mais leve como o meu? — respondeu o Pardal. — É mais fácil de fazer, e eu posso mudar quando quiser!
Aí eles pararam e riram. Entenderam que ninguém estava errado. O Pardal era assim, gostava de leveza e de liberdade. O João-de-Barro era assim, gostava de trabalho e de firmeza. Cada um fazia o que era melhor para si, do jeito que sabia fazer.
Depois disso, eles se ajudavam. O Pardal levava sementes para o amigo, e o João-de-Barro mostrava os lugares mais seguros para voar. E assim viveram felizes, sabendo que o mundo fica mais bonito quando cada um faz do seu jeito, e respeita o jeito do outro.
E a lição fica para nós: não importa como você faz, o que importa é que seja com carinho, e que sirva para você. Cada um tem o seu talento, cada um tem o seu lugar.