Autor: José Adão Ribeiro
Lá bem no alto da serra, onde o capim é verde e o sol brilha manso, moravam dois amiguinhos: a Pulga e o Carrapato. Eles moravam perto um do outro, gostavam de conversar, mas cada um tinha o seu jeito de ser, o seu gosto e o seu lugar no mundo.
A Pulga era pequena, ligeira, gostava de pular de um lado para o outro. “Eu vou ali, eu venho cá!”, dizia ela, pulando alegre. Gostava de andar por entre as folhas, de ver o sol nascer, de sentir o vento soprar leve. Ela era assim: rápida, esperta, não parava muito tempo no mesmo lugar.
Já o Carrapato era mais calmo, mais devagar. Gostava de ficar num lugar seguro, de observar tudo com calma, de não ter pressa de chegar a lugar nenhum. “Não corra tanto, amiga!”, ele dizia para a Pulga. “Olha só como o mundo é bonito quando a gente para para ver!”
Um dia, os dois começaram a conversar sobre quem era melhor. A Pulga disse: “Eu sou mais esperta, eu pulo alto, eu vou rápido a todo lugar!” E o Carrapato sorriu e disse: “E eu sou mais paciente, eu vejo coisas que você não vê, porque você passa muito rápido!”
Aí eles pararam para pensar. E viram que ninguém era melhor do que ninguém. A Pulga era boa no que fazia, o Carrapato era bom no seu jeito. Cada um tinha o seu valor, cada um tinha o seu lugar na natureza. E se fossem diferentes, o mundo não seria tão bonito assim.
Depois disso, eles ficaram ainda mais amigos. A Pulga parava um pouco para ouvir o que o Carrapato tinha para contar. E o Carrapato, às vezes, até dava um pulinho pequeno, só para ver como era a alegria da amiga. E assim, cada um com o seu jeito, viveram felizes, respeitando um ao outro, sabendo que o mundo fica melhor quando a gente aceita como cada um é.
E a lição que eles deixaram para nós é essa: não importa se somos rápidos ou calmos, se falamos muito ou pouco. O que importa é sermos quem somos, e respeitar o jeito de cada um. Porque todo mundo tem o seu brilho, todo mundo tem o seu valor.