Autor: José Adão Ribeiro
No meio da estrada que liga a cidade à roça, havia uma casa muito querida. Tinha porta sempre aberta, janela escancarada, e um cheiro de café quente e pão fresco que chegava até quem passava longe. Todos chamavam ela de A Casa do Caminho.
Lá morava a vovó Maria, que sempre dizia:
— Quem passa pelo caminho, passa também pela minha vida. E todo mundo é bem-vindo!
Se vinha o viajante cansado, ela dava água e um lugar para descansar. Se vinha a criança perdida, ela acalmava e ajudava a achar o caminho. Se vinha o vaqueiro com o seu gado, ela dava um pouco de sal e conversava um pouco. Ninguém batia na porta e ia embora sem um sorriso, sem uma palavra boa, sem sentir que era importante.
Um dia, o neto dela perguntou:
— Vovó, por que a senhora abre a casa para todo mundo?
Ela sorriu e respondeu:
— Porque a casa não é minha só. É de quem passa, de quem vem, de quem vai. O caminho não é só chão para andar: é lugar de se encontrar, de se ajudar, de fazer amigos. E a minha casa é o coração aberto para todos!
E assim, a Casa do Caminho ficou famosa. Porque ensinou que o melhor da estrada não é chegar ao fim: é encontrar gente boa no caminho, e saber receber cada um com carinho.