Autor: José Adão Ribeiro
O rio que cai corre sem parar,
leva água fria, que vem da montanha,
e as pedras ali, a se encontrar,
vão aprendendo a lição que não se apanha,
nas águas que passam a rolar.
Umas são grandes, outras pequeninas,
umas lisinhas, outras cheias de nó,
todas ali, irmãs, bem vizinhas,
ninguém é melhor, ninguém é pior,
no leito do rio, todas bem finas.
A água bate forte, elas não fogem,
se abraçam firme, não deixam rolar,
se o rio cresce, elas se protegem,
fazem barragem para a água passar,
e o leito do rio elas não esquecem.
Quando o sol brilha, elas brilham também,
guardam segredos de tempos antigos,
o rio que cai vai mais além,
mas as pedras ficam, firmes, amigos,
esperando a água que vem.