Autor: José Adão Ribeiro
Nasceu diferente, sem ferrão e sem ferro,
não trabalha na colmeia, não vai ao campo a tempo.
Mas não é preguiçoso, nem inútil, não,
tem sua missão própria, que a natureza lhe deu então.
Seu tamanho é maior, seu voo é mais sereno,
não colhe flor nenhuma, não faz o mel terreno.
Mas não se deve julgar por aquilo que se vê,
cada um tem seu papel, na vida e na colmeia também.
Ele não é rainha, nem operária que trabalha,
cumpre o seu destino, sem murmurar, sem falha.
E quando cumpre o que lhe foi destinado fazer,
tem seu lugar honrado, sem precisar se defender.
Não se deve desprezar quem não faz o mesmo ofício,
pois a vida é bem maior, tem mais sentido e mais vício.
O zangão ensina que nem tudo é trabalho e labuta,
há tempo de nascer, cumprir e seguir a sua luta.
E assim na vida humana, também deve ser assim,
cada um tem seu dom, seu caminho, seu fim.
Não despreze ninguém por parecer diferente,
pois cada um traz em si algo essencial e presente.