Autor: José Adão Ribeiro
Desliza devagar sobre a água corrente,
a canoa segue leve, calma e serenamente.
Não tem pressa de chegar, não luta contra a correnteza,
confia no caminho, segue a natureza.
Feita de madeira simples, com carinho trabalhada,
corta a água sem ferir, sem deixar marca na estrada.
O rio a leva suave, para onde ele quiser,
e ela vai confiante, sem medo, sem temer.
Às vezes a água é calma, espelho do céu azul,
outrora corre mais forte, descendo o vale e o sul.
Mas ela não se abala, firme no seu lugar,
acompanha o destino e deixa-se levar.
O remo a guia leve, com jeito e com cuidado,
respeitando o rio inteiro, seu curso e seu passado.
É assim que se deve viver, sem forçar a direção,
quando a gente é humilde, a vida nos dá a mão.
Que a canoa não pereça, que o rio nunca seque,
que a viagem seja longa, leve e sem qualquer quebre.
Pois quem segue o fluxo com respeito e com valor,
chega sempre ao seu destino com paz e com amor.