O Sentir Em Poesias - José Adão Ribeiro.
O QUE SENTIMOS FORTALECE COM TR@NSPARÊNCI@ NOSSOS SENTIMENTOS VERDADEIROS José @ Ribeiro.
Textos

O Orgulho de Um Presidente Negro (Nilo Peçanha)

Autor: José Adão Ribeiro

 

Nas terras de Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, nasceu em 2 de outubro de 1867 Nilo Procópio Peçanha. Filho de mãe negra e pai branco, cresceu com a simplicidade de quem conhece a vida de perto, cedo aprendeu que o saber é a maior riqueza que alguém pode ter. Estudou direito, trabalhou como advogado e jornalista, foi construindo seu caminho passo a passo — sem atalhos, sem privilégios, só com talento, dignidade e muita vontade de fazer a diferença.

 

Subiu degrau por degrau: foi deputado, senador, governador do Rio de Janeiro, ministro das Relações Exteriores. Mas em cada lugar que chegava, o preconceito ia junto. A imprensa da época fazia piada com a cor da sua pele, retratava-o de forma ofensiva, até retocavam suas fotos para tentar clarear seu rosto — como se quisessem apagar quem ele era. Mas Nilo não se abateu. Ele sabia que o valor de uma pessoa não está na cor da pele, e sim no que carrega no peito e na mente.

 

Em 1906, o povo o escolheu como Vice-Presidente da República, na chapa do presidente Afonso Pena. Tomaram posse juntos em 15 de novembro daquele ano. Nilo cumpriu seu papel com lealdade e competência, trabalhando ao lado do presidente, sempre firme e transparente. Mas o destino tinha outro caminho: no meio do mandato, Afonso Pena adoeceu gravemente e faleceu no dia 14 de junho de 1909.

 

Foi aí que tudo aconteceu. Pela Constituição, quando o presidente não pode continuar, o Vice assume — é a lei, é a ordem, é como deve ser. E assim, naquele mesmo dia, Nilo Peçanha assumiu a Presidência da República Federativa do Brasil. Ele não foi eleito presidente, foi eleito vice, mas quando o presidente partiu, ele passou a ser o presidente — e foi o primeiro, e até hoje o único, homem negro a ocupar o cargo mais alto do nosso país.

 

Não foi fácil governar. Cada decisão era observada, cada passo era julgado. Mas Nilo governou com justiça e racionalidade. Criou as escolas técnicas que deram origem aos atuais Institutos Federais, dando oportunidade de aprendizado a muita gente. Criou também o Serviço de Proteção ao Índio, mostrando respeito aos povos que já estavam aqui antes de tudo. Pensou no Brasil de todos, não só de alguns.

 

Ele completou o mandato, governou até 15 de novembro de 1910, quando entregou o cargo ao sucessor. Passou a tocha adiante, mas deixou acesa a chama do exemplo. Nilo Peçanha faleceu em 31 de março de 1924, mas sua história não morre. Ele é a prova viva de que, mesmo com todas as barreiras, com todo o preconceito, quando a pessoa é competente, íntegra e determinada, ela chega — e chega com cabeça erguida.

 

Hoje olhamos para ele e sentimos orgulho. Orgulho de saber que um homem negro, de origem simples, chegou ao poder por mérito, por trabalho e por direito. Ele abriu um caminho que ainda precisamos seguir, mostrando que o Brasil é de todos, e que a cor nunca foi e nunca será motivo para limitar ninguém. Nilo Peçanha vive — na memória, na história e na luta de cada um que acredita num país mais justo e igualitário.

 

JOSÉ ADÃO (Simples Realista)
Enviado por JOSÉ ADÃO (Simples Realista) em 23/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários