Autor: José Adão Ribeiro
Movimento nas mãos, mas o peito está calado,
cumpre o gesto, mas a alma não se entrega,
o corpo age, mas o sentir ficou de lado,
e o que podia ser luz, sombra se torna e cega,
faz por fazer, sem o brilho do lado amado.
O prazer não é só o toque, é a vontade,
é o coração que bate junto no momento,
fazer sem ele é ato sem verdade,
é caminhar sem rumo, sem sentimento,
vazio que se preenche, mas não tem idade.
Não basta estar presente, é preciso estar inteiro,
o corpo aqui presente, a alma também junto,
porque o que é feito sem o querer verdadeiro,
não deixa marca, não cria nenhum ponto,
passa rápido, sem deixar nenhum rastro.
Fazer com prazer é dar o melhor de si,
não obrigação, não dever, não cobrança,
quando o prazer falta, o ato se esvaziou,
e o que era para ser vida, apenas passou,
sem prazer, o amor não floresce, não avança.