Soneto para Mila do Sertão
Autor: José Adão Ribeiro
No chão do sertão, de terra batida,
Mila caminha, simples e sem disfarce,
fala com a alma, a palavra é vida,
não enfeita o que sente, não muda a face.
Quem critica não sabe o quanto ela brilha,
a simplicidade é ouro que não se apaga,
e o coração grande é a sua maior morada.
No sítio onde mora, com quem lhe quer bem,
a vida é de fato, não de aparência,
levanta cedo, trabalha, faz o que tem,
e a luz que carrega vem da consciência.
Não precisa ser perfeita para ser valorosa,
quem é de verdade incomoda muita gente,
mas a verdadeira luz ninguém apaga nem mente.
Que a pedrada passe e não a atinja mais,
que cada palavra dela seja livre e forte,
porque o sertão ensina quem sabe viver:
a flor que nasce brava não quebra com o vento,
a simplicidade é a maior nobreza,
e Mila do Sertão é luz, é raiz, é vida,
permaneça assim, inteira, simples e querida