Autor: José Adão Ribeiro
O seu medo acabou, pode soltar o que prendia,
a mão que cobria o rosto agora pode se abrir,
não há mais barreira, não há mais noite, não há dia,
só nós dois, de verdade, sem fingir, sem fugir,
o seu medo acabou — pode simplesmente existir.
Não precisa se esconder atrás de nenhuma palavra,
não precisa baixar o olhar quando eu te olhar,
o que há em ti não é defeito, não é falha, não é trava,
é fogo, é desejo, é vida que quer chegar,
o seu medo acabou — pode se deixar tocar.
Não há julgamento, não há cobrança, não há receio,
só a verdade nua que a pele reconhece e aceita,
pode se entregar inteira, sem recuo, sem meio,
porque o que nos une é mais forte, é mais puro, é mais reta,
o seu medo acabou — e o amor já está de pé, completo.
Agora sabe que não está sozinha em nenhum instante,
que o desejo não é vergonha, é chama que nos faz viver,
então vem, sem medo, sem receio, sem distante,
o seu medo acabou e o caminho é se entregar e se ter,
juntos, sem medo, sem fim, sem nada a esconder.