Autor: José Adão Ribeiro
Havia um fogo dormindo sob a tua pele,
quieto, esperando apenas o toque certo,
não qualquer toque — aquele que a alma revele,
que não tenha pressa, que seja inteiro, que seja perto,
e no momento em que te toquei, ele acordou, inteiro.
Não foi só mão sobre pele — foi chama sobre brasa,
foi reconhecimento de quem já conhecia o caminho,
o fogo que dormia, de repente se fez casa,
e o corpo inteiro respondeu, sem medo, sem tino,
acendeu por dentro, e por fora brilhou, devagar, sem atraso.
O toque certo não queima — ele desperta,
faz descobrir sensações que nem sabia que existiam,
cada ponto tocado é uma porta que se abre, certa,
e os prazeres adormecidos, de repente, se exaltam,
o corpo acorda e a alma também se desperta.
E agora que acendeu, não se apaga mais,
o fogo é teu, é meu, é nosso, é verdadeiro,
um toque foi o bastante para queimar e dar paz,
e o prazer que dormia, agora é o mundo inteiro,
acendeste em mim o que eu nem sabia que tinha, meu amor.