Autor: José Adão Ribeiro
Antes que a palavra saia, o corpo já responde,
o olhar brilha diferente, a respiração muda,
a pele se lembra do toque e já se esconde,
não em si — mas no desejo que cresce e que muda,
o corpo sabe o que a boca ainda não ousa dizer.
Não precisa falar, o toque já é conversa inteira,
cada ponto encontrado é uma frase de amor,
a mão que percorre não precisa de bandeira,
sabe o caminho, sabe o lugar, sabe o calor,
e o corpo responde sem precisar de besteira.
O desejo tem língua própria, fala sem som,
chega antes, fica depois, não tem hora nem fim,
é o instinto mais puro, sem máscara, sem dom,
é a verdade nua que existe dentro de mim,
e quando dois se reconhecem, o silêncio é tom.
Não falamos de amor — o corpo já disse tudo,
em cada arrepio, em cada toque, em cada olhar,
o prazer é a língua que todo mundo entende,
e quando o corpo fala, a alma escuta e se rende,
porque o amor verdadeiro também se sente no ar.