Autor: José Adão Ribeiro
Fui ousado, eu sei, fui além do que devia,
cheguei sem medo, entreguei tudo de uma vez,
falei de amor antes de ter a garantia,
abri o peito inteiro sem saber se teria,
de volta o mesmo carinho, a mesma fé, a mesma vez.
Não me arrependo de ter sido tão inteiro e aberto,
mas dói ver que a minha ousadia não foi correspondida,
você recebeu tudo e ficou ali, quieto,
deixou que eu me entregasse sem mover a vida,
e hoje eu choro não por ter amado, mas por ter crido certo.
A ousadia do amor é se expor sem proteção,
é dar a mão e esperar que a outra também se estenda,
mas quando só um se atreve e o outro fica em vão,
o coração se sente tolo, se sente pequeno, se ofenda,
porque a coragem só vale quando é de dois o coração.
Triste não por ter ousado, mas por ter ousado sozinho,
por ter subido o monte e ver que você não veio,
entreguei o meu mundo, o meu carinho, o meu caminho,
e você aceitou sem dar o seu em retorno, eu creio,
a ousadia foi minha, a tristeza também — mas o amor não foi menos verdadeiro, não foi menos meu.