Autor: José Adão Ribeiro
Após a abolição, seguiram sem ninguém,
sem guia, sem auxílio, sem proteção,
o antigo senhor virou patrão também,
e o ex-escravo continuou na mesma condição,
mudou o nome, mas não a situação.
Cada um buscava seu próprio caminho,
uns foram para as cidades, outros para o sertão,
carregavam a dor, a fé e o carinho,
a força ancestral e a tradição,
e a esperança de melhor situação.
Muitos sofreram fome, frio e desprezo,
recebiam salário misero e sem valor,
mas não perderam a fé nem o seu zelo,
mantiveram firme a honra e o amor,
construindo a família com suor e dor.
Não tiveram escola, não tiveram direito,
a porta do progresso permanecia fechada,
mas o povo era forte, era inteligente e perfeito,
ensinou os seus filhos na caminhada,
e manteve a cultura viva e preservada.
Seguiram em frente, sem olhar para trás,
construindo o futuro passo a passo,
a ausência de apoio não os fez recuar jamais,
transformaram a dor em força e em abraço,
firmes no propósito e no compasso.