Autor: José Adão Ribeiro
A lei foi assinada, o papel dizia assim,
que estava terminada a dor e a prisão,
mas ao olhar ao redor, nada era para mim,
faltou a terra, o pão, o chão, a proteção.
Liberdade veio sem rumo e sem pão na mão.
Saíram das senzalas com fé no coração,
mas não lhes deram nada, nem casa nem lavoura,
a liberdade era bela, mas pura ilusão,
quem foi senhor continuou mandando agora,
e o povo livre seguia sem ter onde ir embora.
Não bastava o nome escrito em um papel,
sem direito, sem trabalho, sem garantia,
a escravidão mudou de cara e de céu,
continuou de outro jeito, com outra ousadia,
e o povo seguiu lutando com valentia.
Caminharam léguas buscando um lugar,
onde pudessem viver com dignidade,
a liberdade de fato houveram de conquistar,
não com assinatura, mas com luta e vontade,
construindo seu espaço com fé e honestidade.
Hoje sabemos bem: a lei não nos libertou,
só abriu a porta para a luta começar,
o povo com suas próprias mãos conquistou,
o respeito, o lugar, o direito de sonhar,
a verdadeira liberdade é que se faz caminhar.