Autor: José Adão Ribeiro
Quando o povo se via reunido em roda,
havia canto, dança, fé e devoção,
honravam os que já tinham partido embora,
mantinham viva a nossa tradição,
lembrando a terra e a nossa nação.
Tocavam instrumentos trazidos de lá,
cantavam em língua que a alma entendia,
cada toque era jeito de se libertar,
de sentir que a pátria ali nascia,
que ninguém conseguia apagar nem escondia.
Celebrar os antepassados era sagrado,
agradecer a força que recebemos,
o pão partilhado, o canto rezado,
a certeza de que não estamos sozinhos,
que os guias seguem ao nosso lado.
Não havia riqueza nem ouro nem prata,
mas havia comunhão, alma e calor,
cada irmão era parte, era gente, era casa,
ninguém era mais nem menos, todos eram amor,
celebrar era manter vivo o nosso valor.
Hoje também celebramos com alegria,
a mesma chama que ardeu naquela hora,
honramos a raiz com fé e poesia,
a ancestralidade nos guia e nos reforça,
a festa do povo jamais se esgota.