Autor: José Adão Ribeiro
Mesmo com corrente e com dor no caminho,
o amor florescia sem medo e sem fim,
era abrigo, calor, carinho,
a força maior que havia em si.
Nenhuma algema o conseguia prender.
Separados às vezes pela crueldade,
guardavam o nome no peito a queimar,
promessa de liberdade e verdade,
de um dia juntos poder caminhar,
amar era também forma de lutar.
Zumbi bem conhecia esse sentimento,
que une o povo além da prisão,
o amor não depende de nenhum momento,
nasce livre dentro do coração,
e sobrevive a qualquer perseguição.
Amor de quem ama sem ter propriedade,
sem papel, sem lei, sem nenhum poder,
amor que brotou da pura vontade,
de ser livre, de viver, de compreender,
que a alma ninguém consegue deter.
Hoje lembramos com honra e respeito,
do amor que resistiu ao tempo e à dor,
raiz forte que fincou no peito,
ensinando ao mundo o nosso valor,
o amor é a nossa maior flor.