Autor: José Adão Ribeiro
Não podíamos falar em voz alta o que sentíamos,
o olhar dizia tudo que a boca calava,
um olhar de lado, um brilho que só nós entendíamos,
na multidão, dois corações se reconheciam,
o nosso código era o amor que ninguém podia ler.
Encontrávamos nos intervalos do dia, rápidos,
um toque de mão, um sorriso que vinha de longe,
pequenos tesouros guardados no fundo da alma,
que alimentavam o coração por dias inteiros,
pouco tempo, mas amor suficiente para uma vida.
À noite, quando todos dormiam, as estrelas ouviam,
histórias de amor que não podiam ser contadas,
promessas que o vento levava e guardava com carinho,
"um dia seremos livres, um dia seremos um",
a esperança era maior que o medo e a distância.
Esse amor silencioso foi mais forte que a opressão,
porque o amor verdadeiro não precisa de plateia,
ele brilha por si mesmo, mesmo na escuridão,
e quando a liberdade chegou, ele já estava lá,
esperando quieto, paciente, fiel, inteiro.