Autor: José Adão Ribeiro
O vento levou a corrente que nos queria prender,
mas não levou o abraço que soubemos guardar,
não há algema que prenda o coração que ama,
quando dois se escolhem, a alma já é livre,
o amor foi sempre a nossa maior liberdade.
Não precisamos de papel para sermos um do outro,
o olhar já dizia tudo que a boca não podia,
cada encontro escondido era um pedaço de céu,
cada beijo roubado era um grito de esperança,
a noite nos protegia e o amor nos fortalecia.
Separaram os corpos, mas nunca o sentimento,
porque o verdadeiro amor não se vende nem se compra,
ele cresce na dor e brilha na escuridão,
como estrela que guia quem não perdeu a fé,
amar era também a forma de não desistir.
Hoje a história lembra das lutas e da dor,
mas esquece às vezes de quanto amor existiu,
construindo futuro em meio a tanta dureza,
o amor deles foi a semente que hoje floresce,
nada apaga o que o coração verdadeiro fez.