Autor: José Adão Ribeiro
O que um dia pareceu ter chegado ao fim,
guarda em si um valor que ainda não se viu.
Não é lixo, é riqueza esperando o momento,
de voltar à vida, de cumprir seu destino.
Separar com cuidado, tratar com respeito,
extrair o melhor de cada pedaço inteiro,
de grão em grão, o tesouro se revela.
O cobre que conduz, o plástico que protege,
cada material tem seu valor e seu lugar.
Não jogar fora o que a terra levou anos a formar,
é devolver com honra o que nos foi confiado.
Paciência nas mãos, atenção no olhar,
o que parece pouco, ao todo se soma,
sempre há algo mais quando fazemos bem.
A manufatura reversa não é só trabalho,
é devolução, é cuidado, é consciência viva.
O lucro maior não está só no que se ganha,
mas no que se preserva para as gerações vindouras.
Respeitar a matéria é respeitar a nossa raiz,
quem cuida bem do pouco, sempre tem o bastante,
e o que é recuperado, nunca foi perdido de verdade.
De grão em grão, a transformação acontece devagar,
não tem pressa, mas tem certeza e tem valor.
Cada peça que se salva é um passo a mais na jornada,
deixando menos peso sobre o nosso planeta.
O que hoje é resto, amanhã é nova vida,
quem enxerga além do que parece ser fim,
encontra sempre mais do que esperava encontrar.
A natureza nos dá, e nós devemos cuidar,
não esbanjar, não desperdiçar, sempre valorizar.
Reciclar é também uma forma de agradecer,
devolver o que foi usado, limpo e renovado.
No final do caminho, quando tudo se faz certo,
veremos que o tesouro não estava escondido,
estava em saber extrair o melhor de cada um.