Autor: José Adão Ribeiro
Desnudar-se na areia do tempo é verdade pura,
porque o tempo revela o que a alma sente.
Divagar na janela do acaso é o nosso caminho,
pois não sabemos quando o coração vai se encontrar.
As saudades empoeiradas e amordaçadas eu conheço bem,
presas na vitrine do impossível, como gotas de solidão.
São lembranças que pesam, que doem, que não se apagam,
e cada silêncio que fica é uma história que ainda vive.
Teu coração, barco doente, navega sem rumo — eu entendo,
na noite escura, sem estrela, sem porto, sem direção.
Buscando os sonhos que naufragaram sem despedida,
como quem procura algo que sabe que não vai encontrar.
As águas turvas da ausência são perigosas e profundas,
e o mar da saudade não tem margem nem tem fim.
Mas mesmo sem rumo, o barco continua navegando,
porque parar seria deixar de viver o que ainda pulsa.
Tu falaste tudo que o coração cala e não diz,
cada palavra tua é a verdade que a alma reconhece.
Sei que dói, sei que pesa, sei que às vezes parece demais,
mas navegar, mesmo doente, é a prova de que ainda amas.