Autor: José Adão Ribeiro
Naquele dia a porta foi fechada à força,
disseram que o saber não era para o nosso povo.
Papel e pena pareciam coisa de outro,
como se a mente de um preto não pudesse crescer,
mas ninguém pode aprisionar o querer de aprender.
Não foi só uma lei escrita com tinta fria,
foi tentar apagar a luz que já brilhava em nós.
Pensaram que fechando a porta calariam a história,
mas a sede de saber não cabe em nenhuma parede,
e onde há vontade, sempre há um caminho à frente.
A proibição não apagou a nossa inteligência,
só mostrou o quanto eles temiam que nós crescessemos.
Quem tem medo de um povo instruído não confia na verdade,
e a verdade é simples: o saber é direito de todos,
ninguém é menor só porque tentaram lhe esconder a luz.
Passaram-se os anos e a porta foi reaberta,
mas a memória daquela injustiça não pode se perder.
Hoje cada livro que abrimos é uma vitória conquistada,
cada letra que aprendemos é um passo em liberdade,
e cada escola é um lugar onde ninguém mais fica de fora.
O direito que um dia foi negado, hoje é sagrado,
não é favor, é conquista, é nossa herança mais bonita.
Que cada geração que vem lembre daquela data triste,
para que nunca mais ninguém seja impedido de sonhar,
pois saber é o primeiro passo para ser livre de verdade.