Autor: José Adão Ribeiro
I
Vem o som do tambor que bate no peito,
É a voz de quem veio de longe, não tem fim,
Cada toque é um nome, cada passo é um jeito,
Da terra do Congo que vive dentro de mim.
Não é só festa, não é só cantoria,
É a alma dos nossos antepassados que guia,
É a herança sagrada que nunca se apaga.
II
Vestes brancas e cores que brilham no dia,
O terno se une, um abraço fraternal,
Na Congada a fé é nossa grande poesia,
Que nos liga ao céu e ao chão ancestral.
Não há barreira, não há distância ou medo,
Quem carrega essa luz nunca anda sozinho,
Porque a força do povo é o nosso caminho.
III
Do Congo veio a sabedoria profunda,
O respeito à vida, à terra e ao que é sagrado,
Uma cultura forte, que o tempo não afunda,
Porque está no sangue, escrito no passado.
É preciso reconhecer, é preciso valorizar,
Essa raiz que nos faz crescer e caminhar,
Sem esquecer de onde viemos e quem somos.
IV
A Congada é oração que se faz dançando,
É louvor que se canta com o coração aberto,
São Pedro e Nossa Senhora nos abençoando,
E os congadeiros fazendo o mundo mais certo.
Fé que não se explica, só se sente e se vive,
Uma chama que passa de geração em geração,
Mantendo viva a nossa tradição.
V
O povo que congrega não perde a memória,
Cada rito, cada canto, tem um sentido profundo,
Não é folclore apenas, é nossa grande história,
Escrita com suor, com amor e com o mundo.
Que mais pessoas abram os olhos e o coração,
Para ver na nossa cultura uma lição,
De como viver em paz e em união.
VI
Respeitar a ancestralidade é honrar a vida,
É entender que viemos de uma longa jornada,
Cada antepassado deixou uma porta aberta,
Para hoje estarmos aqui, de pé, na estrada.
A Congada é o elo que não pode se romper,
É o amor que nos ensina a compreender,
Que somos um só povo, uma só família.
VII
Que o som dos tambores ressoe cada vez mais forte,
Chegando aos corações que ainda não entenderam,
Que a nossa cultura é um tesouro sem norte,
Mas com raízes profundas que nunca perderam.
Congada é fé, é canto, é vida, é verdade,
Uma herança preciosa, nossa dignidade,
Que sempre viverá na nossa eternidade.